Sobre elegância

Uma coisa elegante é aquela que gostaríamos de ter inventado nós mesmos. Mais ou menos. Em 2007 escrevi um programa elegante. Mas o que há de elegante nele? Esse programa consulta uma base de dados; mas a base de dados é o próprio programa. Ele consulta a si próprio. Isso é elegante. Não?

Okay. Que tal este? Em 2009 escrevi um programa útil que não existe. Havemos de admitir; isso é elegante. Mas como pode um programa que não existe ser útil? Como pode um programa que não existe ser um programa? Nem sempre desejamos rodar o programa em si; talvez apenas desejamos saber quais foram as tentativas de executar o programa. Isto é, desejamos saber a história de tentativas.

Em 2009 escrevi um programa elegante. Chama-se elproc de ``el processador.'' O HTML que compõe esta própria página foi escrito por ele. Mas ele não escreve HTML apenas; ele escreve qualquer coisa. Eu venho pensando sobre este tipo de programa desde 2006, acredito. Ele é uma espécie de compilador; compilador de texto. O elproc é um programa muito amigo; compartilha comigo na execução de alguns afazeres. Confesso que a elegância dele vem de um ponto de vista um tanto pessoal. Mas é que ele faz o seu trabalho de forma muito bem feita, e eu gosto disso.

O Leibniz construiu uma notação muito elegante para descrever um certo comportamento de certas funções. É tão elegante que foi possível construir uma algebrização bem peculiar com a notação dele; peculiar, mas poderosa. A notação facilita certos raciocínios onde algumas dessas funções estão envolvidas. É necessário, entretanto, uma formalização dessa álgebra para que ela seja válida --- o raciocínio tem que ser válido, afinal. Já me convenci em grande parte; mas falta uma questão. Eis a idéia.

Created: Tue Nov 25 12:51:38 CET 2008.
Updated: Sat, 2 Jan 2010 02:54:59 +0100.